Capítulos

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Limites

Os Limites da VEJA

A VEJA está em constante transformação. Embora busquemos sempre fazer melhor, estamos cientes dos limites inerentes ao próprio projeto. A transparência está no centro das nossas convicções; por isso, compartilhamos essas limitações publicamente. 

Fabricação

Os ilhoses dos nossos tênis não contêm níquel, mas são feitos de metal que não foi adquirido por nós.

Paraísos fiscais

Desde os primeiros anos da VEJA, sempre procuramos priorizar bancos que não tenham filiais em paraísos fiscais. Por isso, optamos pelo NEF e pelo Crédit Coopératif.

Por outro lado, nosso site de e-commerce ainda depende de parceiros bancários com filiais em paraísos fiscais. Na prática, a VEJA vende para o mundo inteiro, e nossos parceiros habituais não oferecem o mesmo nível de serviço. 

Corantes

Os pigmentos usados para tingir couro, borracha e algodão não são produtos naturais. 

Em 2012 e 2013, utilizamos corantes naturais feitos a partir de plantas e minerais em 40% da nossa produção, mas a qualidade das cores não atendia aos nossos padrões. 

Para obter cores estáveis, sem desbotamento, a VEJA precisa, por enquanto, usar corantes convencionais (em conformidade com as normas de segurança e sem uso de produtos químicos perigosos ou proibidos).

Couro tingido

2011

© Cédric Amiot

Couro

Porto Alegre, 2011

© Cédric Amiot

Couro

De 2008 a 2015, o couro utilizado pela VEJA era 100% curtido vegetalmente. 

No entanto, desde 2015, devido aos altos custos e à qualidade insatisfatória, tivemos que rever essa decisão. 

Decidimos então que todo o couro utilizado pela VEJA seria 100% rastreável, proveniente apenas de áreas não desmatadas e majoritariamente de fazendas orgânicas – e conseguimos alcançar esse objetivo. Mas queríamos ir além.

Desde então, encontrar uma alternativa ecológica ao couro tornou-se um dos principais objetivos da equipe de cadeia de suprimentos da VEJA. 

Em 2019, a VEJA lançou seu primeiro modelo feito em C.W.L. (Cotton Worked as Leather ou, Algodão trabalhado como couro), um material laminado vegano à base de algodão, então produzido na Itália... mas que não era rastreável nem certificado orgânico. 

Decidimos, então, reinventar o C.W.L. em 2020 e melhorar sua rastreabilidade. Meses de pesquisa nos permitiram chegar a uma composição melhor, feita com algodão produzido no Brasil e no Peru, pelos produtores com os quais a VEJA trabalha desde o início. 

2023

© Studio VEJA

Este novo C.W.L., que é 54% de base biológica, oferece a mesma textura, maciez e resistência à água que o couro tradicional. Ele é feito com lona de algodão 100% orgânico, comprada diretamente pela VEJA, e revestida com P.U., óleo de mamona e acabamento de amido de milho. 

O C.W.L. é produzido no Brasil, em uma fábrica que controla o uso de água e de produtos químicos. 

No entanto, essa alternativa ainda é um laminado sintético e, portanto, 45% de sua composição continua sendo de origem petrolífera.  

Sabemos que ainda não é a solução ideal, e, por isso, continuamos trabalhando para encontrar alternativas 100% de base biológica.

2023

© Vincent Desailly

Consumo Excessivo

Embora tenhamos orgulho de nossos tênis e da forma como os produzimos, outras questões precisam ser refletidas: 

Será que realmente precisamos de tantos pares? Sabemos que nosso produto acompanha a moda, mas é necessário ter sempre o modelo mais recente? 

Se o tênis mais ecológico é aquele que você já possui, como podemos fazê-lo durar mais? 

VEJA x Darwin

Bordeaux, 2021

© Antoine Huot

Darwin

Em junho de 2020, a VEJA escolheu o Darwin para abrir sua primeira loja dedicada a projetos de reparo e reciclagem.

O Darwin é um ecossistema localizado em Bordeaux, na França, que integra inovação ecológica e social em um laboratório a céu aberto, inspirado pelas culturas urbanas.

Foi ali que a VEJA idealizou um espaço pensado como um laboratório para restaurar e reciclar pares de VEJA usados. 

O projeto VEJA x Darwin oferece protótipos da VEJA nunca lançados, tênis com pequenos defeitos e alguns pares de coleções antigas a preços reduzidos.

Implementamos um serviço de sapataria na loja: três sapateiros reparam todos os tênis VEJA, assim como os de outras marcas.

VEJA x Darwin

Bordeaux, 2021

© Antoine Huot

Estações de Reparo 

Diante do sucesso dos nossos serviços de reparo, demos continuidade ao projeto. Em julho de 2021, lançamos uma segunda sapataria VEJA nas Galeries Lafayette, em Paris. Depois, nos expandimos para outras cidades. 

No final de 2025, contávamos com 11 estações de reparo em Paris, Marselha, Londres, Berlim, Madri, Brooklyn, Los Angeles e São Paulo. 

Desde a abertura, nossas equipes já repararam mais de 50.000 pares de tênis VEJA e de outras marcas ao redor do mundo.

Estação de Reparo Galeries Lafayette

Paris, 2021

© Studio VEJA

Para os pares que não podem ser reparados, instalamos caixas nas estações para reciclá-los e dar-lhes uma segunda vida. 

Ainda não conseguimos reciclar tênis de outras marcas, pois sua composição é difícil de rastrear e pode conter produtos químicos perigosos. No entanto, nós os reutilizamos em outros projetos (doações, arte, etc.). 

Durabilidade

Trabalhar com materiais naturais pode, às vezes, comprometer a durabilidade. Nosso objetivo é que um par de VEJA dure ainda mais. 

Uma sola feita de borracha nativa da Amazônia é mais resistente do que uma sola tradicional de plástico? Usar couro é mais ecológico do que usar plástico 98% derivado do petróleo? Uma lona de algodão orgânico é mais resistente do que algodão cultivado com pesticidas? 

Se conseguirmos responder “sim” a todas essas perguntas, nossa aposta terá valido a pena. 

Governança

A VEJA é uma sociedade de responsabilidade limitada (LLC), e os dois fundadores são os únicos acionistas. 

Em termos de governança, optamos por manter uma estrutura que pode parecer antiquada para uma empresa em crescimento. Mas acreditamos que a democracia pode se diluir sob as pressões do capitalismo; assim, trazer investidores externos para o capital da VEJA poderia comprometer a integridade do projeto. 

Transporte

Na VEJA, utilizamos principalmente transporte marítimo para enviar nossos tênis do Brasil para nossos armazéns logísticos. Ocasionalmente, recorremos ao transporte aéreo. 

Em 2024, apenas 0,2% dos pares produzidos no Brasil foram enviados por avião. Evitar o transporte aéreo é essencial para não aumentar as emissões de CO₂ da marca. 

Usine VEJA

2023

© Vincent Desailly